6 de maio de 2014

frozen: conjunto da obra

Eu estava com uma vontade quase patológica de escrever algo sobre Frozen. Porque a Internet é uma selva maldosa, que enche a gente com informações o tempo inteiro e, desde o final do ano passado, ela tem me enchido de curiosidade a respeito do bendito filme de animação da Disney.

Como não fui assistir ao filme no cinema, esperei o DVD chegar bonitinho até a minha vida. Daí que me sentei com marido e filho para assistir ao tão falado trabalho, mal me contendo de curiosidade.



Vi tantos artigos a respeito de tantos temas diferentes que eu mal podia esperar para lê-los já sabendo do enredo (eu favoritei uma enorme quantidade de artigos em portugues e inglês; por medão de spoilers, li poucos e guardei o resto). E os assuntos eram os mais diversos possíveis: feminismo, homossexualidade, idealização do amor, bilheteria, mensagens subliminares, teorias sobre a morte (ou não) dos pais das irmãs, o que é amor verdadeiro, casamento, a presença de Rapunzel numa das cenas do filme e "oh meu Deus, eles estragaram a história de Hans Christian Andersen!".

E depois de assistir ao filme e ler tudo o que eu tinha separado para ler (foi um trabalho de dias para ler tudo o que eu queria) fiquei aqui me perguntando: eu começo por onde? Ou melhor: quantos textos será que eu consigo produzir sobre Frozen? Faço um resumo? Um apanhado? Começo concordando ou discordando da maioria?

A verdade é que Frozen tem material para um mestrado. E te garanto que a esmagadora maioria dos filmes lançados pelos estúdios Disney sempre tiveram e sempre terão a indiscutível capacidade de dar pano pra manga. Ponto pra eles. Falem mal ou falem bem, falem de Disney. Marcou sua infância? Disney. Te despertou a mais profunda revolta? Disney.

Agora, com a possibilidade de blogar de novo sem a responsabilidade mínima de seguir um tema ou normas acadêmicas, vou postar este esboço descompromissado a respeito do filme, porque eu gostei (de verdade) e porque ele entrou ali no meu TOP 10 animações ever.

Atenção: spoilers, spoilers everywhere!

Motivo 1: O óbvio


A minha personagem feminina favorita de todos os tempos é Bela ("A Bela e a Fera") por motivos de: ela mudou minha vida. Eu era uma menina diferentona e eu vi em Bela tudo o que eu não tinha visto antes em personagem alguma. Podem vir Mulans e Meridas, Bela sempre ocupará um espaço cativo no meu coração.

Entretanto, é óbvio que não tem como não notar a evolução das personagens Disney através dos tempos. E um filme com duas protagonistas mulheres é sim algo muito LECAU. Sério. É um retrato vivo de uma cultura diferente, uma foto do nosso tempo agora.

Eu até passei por cima da minha cisma gratuita com a Kristen Bell para curtir a Anna. Que gracinha de personagem. Eu sei que vocês curtiram muito mais a Elsa, mas a Anna pra mim é genial.


Motivo 2: A música é boa, dentro do contexto

Eu confesso que já estava enjoada de "Let it go" e de todas as suas versões bizarras no YouTube mesmo antes de assistir ao filme. Ou seja, eu já estava cansadíssima do refrão e sem vontade nenhuma de ouvir o resto. Sério.



(Só o John Travolta não conhecia o fuzuê porque até errou o nome de Idina Menzel na Cerimônia do Oscar desse ano, mandando um esquisitíssimo Adele Dazeem na hora. Senti a Idina bem nervosinha durante a apresentação, desafinou e tals. Não creio que tenha sido por causa do Travolta, anyway, mas ela canta mais bonito que isso).


Mas então, voltado ao assunto, depois de assistir a música dentro do contexto, gostei demais. Isso porque a letra é mesmo muito bacana e vai muito além do "deixa pra lá" do refrão grudento. É quase um hino da volta por cima. Uma bela homenagem ao botão FODA-SE. Uma ruptura com regras que colocavam a personagem pra baixo e a faziam sentir-se má por ser diferente das outras pessoas.

Às vezes o que te cerca é tido como impróprio pelas outras pessoas. E se são elas que ditam as regras você acaba vivendo uma vida infeliz, incompleta, acreditando que assim você não será um incômodo para os outros. Let it go e seja você mesmo.


I don't care what they're going to say!


Motivo 3: Kristoff, eu te amo



O meu personagem queridão de todos os tempos é o Flynn Ryder, de "Tangled"; que é tudo, menos um príncipe encantado, e eu gosto disso. PORÉM, ó, Kristoff, já te amo também. O personagem começa naquele clichê básico: sou rude, sou grosseiro, oi garota, não temos nada a ver um com o outro, mas você vai descobrir que eu sou um fofo. Fico impressionada em como eu sempre caio na conversa e me apaixono por eles mesmo assim. Porém, dessa vez, eles acertaram em cheio na cena mais romântica do casal, quando ele pede permissão para beijá-la. 

Pede.
Permissão.
Para.
Beijá-la.


May I?


Placar final: Kristoff 10 x 0 todos os outros.

Achei essa cena uma um bela tacada dos animadores. Tudo bem que ela é apenas um momento bonitinho e romântico e blábláblá. Mas dá pra ver mais coisa aí: É uma mensagem subliminar dos estúdios Disney (risada maligna ha ha ha), só que pro bem. Porque moça, ninguém tem o direito de te pegar do nada e te beijar. Ninguém pode encostar em você sem sua permissão. O guapo só pode te tocar com o seu consentimento. Entendeu? Obrigada, de nada. 

Motivo 4: Olaf, eu te amo mais


O que dizer deste boneco de neve que eu conheci há pouco tempo e já considero pacas? 
Mano, muito sucesso pra você.

A Disney sempre dá uma aliviada nas tramas tensas com algum bichinho legal, gente boa e engraçado. Por exemplo, o Flick de Pocahontas e o Mushu, de Mulan: o mundo tá acabando, tá tudo uma droga e eles estão ali para te fazer rir um pouco. A técnica também serve para não afastar as QUIANCINHAS tudo. A criançada precisa de um personagem assim para poder chamar de seu. Senão fica tudo muito cinza. Ou muito branco, no caso de Frozen. Ha. Ha.

Flick e Mushu: duas coisinhas engraçadas em meio ao papo sério

Mas então: Olaf é sensacional. Ele é feito de gelo, mas faz questão de avisar que curte um abraço quentinho. Com frases do tipo: "Head's up! Watch out for my butt!", ele faz o tipo personagem que agrada a todo mundo. E, claro, depois de Shrek (que não é um produto Disney), esse é o tipo de piada que a nova geração quer ouvir. Vai dizer que não ficou muito mais legal rir de tudo depois que a DreamWorks esculhambou de vez, em 2001?



Assisti à animação original (com Josh Gad) e também dei uma chance pra dublagem do Fábio Porchat (faça aquela carinha da menina Chloe, eu deixo). A dublagem das animações no Brasil não me deixa tão assustada não. Há casos, inclusive, que eu achei o trabalho tupiniquim ainda melhor do que o original gringo. Vide Detona Ralph, em que Marimoon conseguiu deixar a personagem Vanellope ainda mais maravilhosa.

A dublagem do Porchat, no entanto, não tem nada demais. Mas não é ruim como eu imaginei que seria.  É boa. O personagem me fez rir bastante. Ponto pro pessoal que fez a tradução das falas dele também. Não exageraram no grau de nacionalização das piadas mas conseguiram um meio termo divertidíssimo. Só o tom de voz do Fábio é que anda manjado demais. Desgastado, até. A gente o vê e o ouve em toda parte ultimamente. Chega uma hora que você fica meio que esperando que ele grite algo como "JUDITE, NÃO DESLIGA, JUDITE! NÃO ME DEIXA!".


"ELSA! PELO AMOR DE DEUS, ELSA, DEVOLVE O VERÃO, PORRA!" 

Motivo 5: Não vai ter bolo

O primeiro filme da Disney com final "real" e catastrófico que eu assisti foi Pocahontas. Cara, COMO EU CHOREI. Eu não estava acostumada a ver um casal ser separado para todo o sempre num desenho. Lembro que assisti no cinema, achei bonito e tals, mas fiquei meio traumatizada com o choque de realidade. Desculpe, eu era uma criança e os filmes anteriores me acostumaram com a felicidade de par em par, com perdão do trocadilho.


De lá pra cá, os desfechos foram, pouco a pouco, se adaptando ao que a sociedade espera ver e acredita ser melhor (mesmo que a trama se passe séculos atrás). Porque ninguém fica lá muito feliz pra sempre, néam? Chegam as contas, a falta de grana, o futebol bem na hora que você quer ver a super estreia do TeleCine, essas coisas. 

Aí vem a Elsa e diz:


Saca a autocrítica do negócio. Nessa hora é como se ela estivesse dizendo a todas AZAMIGAS da Disney: "Meninas, não é assim que funciona. Let it go, moçada."

Acho muito legal como a felicidade dos personagens não fica presa ao casamento. Já tivemos isso em "Brave" antes, com Merida terminando o filme ao lado do espetacular NINGUÉM e em "Tangled", com Rapunzel "enrolada" com Flynn Ryder. Danadinha(Mas aí fizeram um curta depois, casando os dois, eu achei desnecessário).


Anyway, o final do Frozen é super atual. Legal, mesmo. Que não abre mão da felicidade geral da nação animada, mas sem atrelá-la às bodas de alguém. 

Em suma, ficam aqui as minhas cinco de cinco estrelas para Frozen, que eu demorei pra ver, mas quando vi, me esbaldei.

Ah, e só pra quem não viu: alá Rapunzel e o lindo do Flynn Ryder chegando para a festa de coroação da rainha. Você consegue vê-los aos 2:59Mas ó: piscou, perdeu.


 

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