Hoje recebi um compartilhamento na minha timeline, datado de abril deste ano, que conta a história de um casal que viveu 70 anos juntos.
Eles se conheceram ainda na adolescência, se casaram e viveram juntos a vida inteira. Literalmente. Na sexta-feira, 11 de abril, Helen Felumlee faleceu. Seu marido, Kenneth Felumlee, faleceu na manhã do sábado 12, apenas quinze horas depois.
Os filhos do casal contaram à imprensa que o pai, ao saber da morte da mãe começou então a "ir embora aos poucos". E uma das filhas completou: "Ele estava pronto, só não queria deixá-la sozinha". E disseram que o casal nunca se desgrudava, que tomava café de mãos dadas todos os dias; e viajaram juntos durante anos, e foram felizes a vida inteira.
E então quando algo assim acontece, anuncia-se aos quatro ventos, noticia-se na mídia internacional (e interestelar, se houver possibilidade) e num instante todos estamos comovidos, olhando para a foto de pessoas que nunca vimos pessoalmente, encantados com sua história que de tão bonita parece filme.
E justamente por parecer filme, por parecer romance bem escrito com final comovente, nos vemos prostrados diante de uma realidade que alguns criam já esquecida: essas coisas existem.
Veja só, elas não foram inventadas por alguém. Elas são reais.
Ainda existem amores para a vida toda. Ainda existem casamentos que duram décadas (os meus pais acabaram de completar 40 anos de união). Ainda existem pessoas dispostas a devolver a bolsa repleta de dinheiro, esquecida no banco do ônibus. Ainda existem doadores de órgãos. E ainda existem doadores de tempo, oferecendo o melhor de si para quem não tem nada. Ainda existem pessoas preocupadas com a fome do outro, com a falta de saúde do outro, com a pobreza do outro. Ainda existem pais dispostos a adotar o outro, que está sozinho. Ainda existem professores dedicados em meio ao caos educacional e médicos se desdobrando em hospitais arruinados. Ainda existem jovens que acreditam poder mudar o mundo. Ainda existe um neto disposto a cuidar da avó com Alzheimer. Ainda, ainda.
Apesar dos pesares tão pesados - com o perdão da aliteração - essas coisas ainda existem. E ao nos depararmos com elas ficamos desconcertados. E ficamos desconcertados porque, embora tudo nos leve a crer que não, ao que parece, ainda temos chance de ser melhores. E alguns, dentre nós, ainda acreditam no amor.

Que amor seu post.
ResponderExcluirEu sorri largamente lendo ele!
Obrigada por escrever algo tão bonito...
Isso toca as pessoas e faz com que
tudo pareça mesmo melhor *-*~
http://passaro-de-inverno.blogspot.com.br/
Obrigada Marina ;)
ResponderExcluir