4 de junho de 2014

joão verde


Eu sempre fui uma criança leitora. E me tornei uma adolescente mais voraz ainda. Em casa, sempre tive acesso ao objeto livro; meus pais sempre me deram total acesso à sua biblioteca – que, se não era enorme, não era também pequena. Eu podia folhear as páginas, riscá-las, abri-las a meu bel-prazer, pintar de azul se desejasse. Não havia frescura na minha casa àquela época, assim como não há frescura agora, no tempo presente: meu filho tem total acesso aos livros: aos seus, que ficam todos ao seu alcance e aos meus também. Tirando uma capa amassada e duas folhas riscadas com marca-texto amarelo berrante, nunca tive prejuízo maior. Pelo contrário: assisto, com orgulho, nascer um pequeno interessado em páginas escritas. Ele as folheia com curiosidade (e até cuidado), aponta para os parágrafos de Fitzgerald e finge que está lendo O Grande Gatsby, diverte-se com as HQs com a mesma vontade que o faz com exemplares da Revista Recreio, monta pilhas de livros no chão e diz que está construindo um castelo.

Entretanto, a grande diferença que noto entre a “minha época” (e eu pareço até ter uns 60 anos de idade quando falo isso) e a atual, é que vocês, adolescentes de hoje, têm mais opções do que eu tinha. E veja bem, quando eu digo isso não estou dizendo que eu não amava Pedro Bandeira ou a série Vagalume. Pelo contrário! Mas de J.K. Rowling pra cá, eu assisto, embasbacada, o número crescente de autores que escrevem para vocês. Especialmente para vocês.

Que invejinha.

Li vários YA (young adults - termo que classifica esse tipo de livro). Até o horroroso mundo dos vampiros que brilham sob a luz do sol eu li. Descobri, inclusive, um dos meus autores favoritos enquanto lia livros feitos para vocês, pequenos sortudos: um australiano charmoso e surfista que inventou a história da pequena ladra de livros Liesel Meminger.

Mas ler YA fora da idade é um negócio interessante, que beira o bobo e o muito legal: a gente sabe que aquilo tudo ali não é endereçado a nós, pobres adultos do mundo cinza. Mas como leitora ávida desde tempos imemoriais, posso até não ser uma excelente crítica literária, mas tenho cá algum talento pra distinguir coisa boa de coisa ruim.


E o excelentíssimo Sr. John Green, minha gente,  é coisa boa.

Explico: ele te respeita. Ele escreve para você, para sua cabecinha adolescente cheia de dúvidas, hormônios e ansiedade, de um jeito interessante e que cativa. Mas te respeita. E quando digo respeitar, quero dizer que o texto construído por ele tem o carinho e a vontade de não achar que você é um idiota para engolir qualquer coisa. Ele não nivela por baixo, sabe que você é capaz de pensar.


Ele é divertido e engraçado, mas nem por isso acha que um parágrafo sem sentido é perdoável. Ele é coloquial, mas não acredita que uma ou outra expressão mais difícil vá matar você. Ele não dá ponto sem nó nem passa aquela impressão de que escreveu o livro às pressas, sem pesquisar direito e sem vontade de explicar tudo. Ele fez uma de suas personagens ser leitora de Gabriel García Márquez para incitar sua curiosidade literária (e me ganhou aí). 



Ele é diferente de tantos outros, que terminam a história, você fecha o livro e vai fazer outra coisa. Aqui, você termina a livro e as reflexões ficam, as boas frases também, trechos inteiros que merecem ser relidos. 

Eu adoraria ter sua idade agora, quando há uma profusão maravilhosa na Internet divulgando livros e mais livros escritos especialmente para você; mas, mais do que isso, livros escritos por bons autores, como o John Green.

Numa boa, e de coração: não perca a sua oportunidade. Aproveite. Okay?

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