4 de agosto de 2015

"Nada tenho, vez em quando tudo"



São dores de cabeça,
São espasmos pelo corpo,
São fios de cabelo que não param de cair.

São batidas descompassadas.
Doutor, eu sinto meu coração bater nas pontas dos dedos.
Nos calcanhares,
nos joelhos,
nos ouvidos.
Falar nisso, é normal esse zumbido?

Fazer exame pra ver
Deve ser doença nova
Eu vi no Google
Doenças aterrorizantes
Todas elas fatais

E a simples ida ao mercado
Ao dentista
Ao trabalho
Ao cinema
Que a imaginação cruel transforma em um homérico pesadelo

Todos os chás são pra acalmar, mas eles não funcionam.
O sono não vem, e quando vem, chega em pedacinhos 
esparsos e absurdos. 
Se o celular vai me acordar às seis, 
eu mesma me acordo 
às três, 
às quatro
às cinco
e às cinco e cinqüenta
Só pra ganhar mais dez minutos de agonia.

Pra que lado fica a saída de emergência?

Eu estou sempre medindo a altura do tombo,
Internamente
Silenciosamente
Pacificamente
Enquanto dentro da mente o que acontece de verdade lembra mais um filme de Tarantino.

E o terapeuta balança a cabeça devagar
Diz ele que a ansiedade - apesar de crônica - vai passar
Eu finjo que acredito.
Enquanto na minha bolsa pesam as cartelas de remédio e no rosto um sorriso de mentira.



Playlist no cérebro:


Um comentário:

  1. Você escreve lindamente, me li em cada linha tua. Ansiedade é meu sobrenome, às vezes parece que o coração vai estourar. Te entendo pra cacete.

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