13 de agosto de 2015

Os finais infelizes dos meus livros favoritos



Eu realmente acredito no poder do final infeliz. Não digo da vida real, Deus nos livre dos finais infelizes, claro, mas em se tratando de ficção, são eles que dão a uma história o poder de se tornar inesquecível.

Estou mentindo? Não, não estou.

A galera curte um final alegre? Curte.

Mas o final que a galera lembra de verdade é aquele lá, em que o Jack morre congelado. Você pode achar bom ou ruim, mas você não esquece. Você poderá odiar o autor da história para o resto da vida, mas sempre se lembrará do porquê.


E aí que, ao fazer minha lista de livros favoritos da vida (so far), eu me dei conta de que adoro mesmo esse negócio de final tristinho. Veja bem:


1. A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS, Markus Zusak

Lido a primeira vez ainda em 2007, fez de Markus Zusak um dos meus autores contemporâneos favoritos. Zusak sabe lidar com as palavras de um jeito único e sinceramente eu nunca havia conhecido uma narradora tão boa quanto a desta história. Reli o original, em inglês, quatro anos depois, e comprei as duas edições pra mim. Guardo com carinho e adoro a ideia de que muita gente simplesmente odeia esse livro.

Gosto disso: ou você ama ou você odeia, não tem meio termo.
Beijos.


2. O GRANDE GATSBY, F. Scott Fitzgerald 

Eu ainda não fiz nenhuma tatuagem, mas a primeira já está devidamente escolhida - e ela vai sair de um trecho dessa coisa magnífica que Fitzgerald deixou para a humanidade. Obrigada, obrigada, obrigada.

O mais legal nesse livro é que seu começo e seu fim são MUITO geniais. Ele tem o melhor primeiro parágrafo e ele tem o melhor último parágrafo em um livro. Sem mais.


3. CEM ANOS DE SOLIDÃO, Gabriel García Márquez

Eu jamais me perdoarei por não ter conhecido Márquez mais cedo. Mas comecei bem, há três anos, quando li a saga dos Buendía. Santo Deus, que coisa mais linda.

O livro acaba e você fica:

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4. O MORRO DOS VENTOS UIVANTES, Emily Brontë

Quero apenas chorar em posição fetal ali no chão até a dor passar. É tanto ódio, é tanto rancor, é tanta gente amargurada. É tanta tristeza, amigos, tanta tristeza que não passa nunca, não passa nunca. A vida: ela é terrível. Ela é sombria.

O que nos faz bons? O que nos faz maus? O que somos de verdade para o outro e para nós mesmos?


5. PERDÃO, LEONARD PEACOCK, Matthew Quick

Assim como Markus Zusak, o Matthew Quick tem um cantinho no meu coração na prateleira de autores do século XXI. De uma maneira muito simples ele me cria esse personagem que eu quero adotar, levar pra casa, dizer que vai ficar tudo bem, preparar comida, fazer cafuné e não deixar ele morrer.

Você tem a mim, Leonard. Você tem a mim.


6. MEMORIAL DO CONVENTO, José Saramago

Enquanto todo mundo na faculdade estava reclamando que o livro era terrível, arrastado, pouco interessante e com final triste, eu estava aqui me perguntando o que fazer com essa Blimunda que acabara de conhecer e já considerava pacas.

Eu não sei o que Saramago fez ali, mas fez tão bem feito e tão bonito, que eu reli aquele final 3 vezes em voz alta e soluçando.


7. MADAME BOVARY, Gustave Flaubert

Emma Bovary representa muito para mim. É uma personagem forte e interessante, com um quê quixotesco de negação da realidade.

Amo para sempre, mas confesso que, de todos os finais infelizes favoritos, esse me dói um pouco mais porque a filhinha dela paga sem dever.

Pagar sem dever: Forte isso.


8. O RETRATO DE DORIAN GRAY, Oscar Wilde

Li três vezes e já assisti à maioria das adaptações produzidas para o cinema. Eu não tenho adjetivos para tanta genialidade.

Aqui, até o final infeliz é glamouroso.


9. ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, Aldous Huxley

Nesse livro, Huxley pega uma faca afiada e enfia no peito de seu leitor sem dó nem piedade.

A vítima, quase sem vida, é obrigada a refletir por dias, semanas e meses a fio aquela narrativa tão maravilhosa.


10. O PEQUENO PRÍNCIPE, Antoine St. Exupéry

Ele tombou devagarzinho.

E eu sempre tombo junto com ele. Não importa a idade que eu tenha.




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