18 de agosto de 2015

Entra na minha casa, entra na minha vida...!



O post* demorou mais do que eu previa para sair, mas este é o livro lido para o bimestre passado no Desafio Literário Mulheres e Páginas, em que tínhamos que escolher uma autora polivalente. E a japonesa Marie Kondo, de A Mágica da Arrumação foi a minha escolha - por ser referência no assunto "organização" (ela é consultora e palestrante), e uma das pessoas mais influentes do mundo, segundo a TIME.

A princípio, preciso adiantar de que o livro é muito simples, e a linguagem adotada muito tranquila. Não espere encontrar aqui nada muito aprofundado a respeito de organização e técnicas japonesas milenares, nem expressões rebuscadas em parágrafos longos.

Mas Kondo me ganhou por sua simpatia. Após pesquisar um pouco sobre a mulher que diz que "as meias não devem ser guardadas em rolinhos e sim estiradas, porque precisam 'descansar' após um dia de trabalho", resolvi dar uma chance ao método. Só por essa "doideira" inicial.

Embora eu seja uma pessoa "desapegada", o método me pareceu muito radical. Então, não sei se qualquer pessoa se sairia bem com ele. Quem é extremamente ligado a objetos, memórias, etc., pode ter um ataque de nervos durante a leitura. No entanto, olha só: para mim funcionou mesmo.

Duas dicas principais no método "Konmari" precisam ser seguidas à risca: só manter em casa aquilo que lhe traz lembranças e sensações boas (e que você ainda usa), e fazer a organização toda de uma vez; nada de ir arrumando aos pouquinhos. 

Em julho, após terminar a leitura, testei.

No primeiro dia de arrumação, apenas roupas. E Kondo diz que é necessário reunir tudo de uma vez só, num só lugar. Eu sempre fui daquelas pessoas que organiza aos pouquinhos e, talvez por isso, estivesse sempre trabalhando, arrumando e com a mesmíssima quantidade de coisas nos armários.

Mas desta vez foi diferente. Entreguei para a doação muito mais roupa do que costumaria fazer de outro modo. Tudo o que estava sem usar há séculos e roupas que já não me traziam alegria alguma se foram.

Parece uma grande bobagem, mas até o "ar" do quarto ficou diferente; mais "leve".

No segundo dia fui aos livros. Como já contei para vocês nesse post aqui, não sou de ficar guardando muitos volumes em casa. Essa fase de sonhar com uma biblioteca imensa já passou. Eu doo, empresto, troco, não tenho medo de deixar a literatura fluir. Mas, ainda assim, a estante continuava abarrotada.

Aqui doeu um pouco: mesmo sabendo que não iria reler aquele volume eu não conseguia me desfazer sem sentir uma dorzinha no peito. Alguns títulos estavam comigo apenas por estar, por serem de determinado autor e, vejam só, eu ainda guardava comigo livros nunca lidos. Mesmo comprados ou ganhados há mais de cinco anos.

E aí foram mais de 56 livros embora.

Apesar do estranhamento inicial, a sensação de olhar para as prateleiras e só ver os que eu realmente amo e que me fazem bem, ou que contém aquela dedicatória especial não tem preço. Parece uma grande bobagem, de novo, mas foi "libertador".

Algumas afirmações da moça me pareceram exageradas e até mesmo absurdas; então adaptei tudo aquilo para que fizesse sentido em minha vida. Por exemplo, ela usa muito a expressão "jogar no lixo", ao invés de "doar para outra pessoa ou instituição", coisa que me agrada mais. E com relação aos presentes, a meu ver, existem determinados tipos que precisam ser guardados.

Ainda assim, se você deseja um método realmente eficaz de se reeducar a aprender a viver apenas com o que precisa, de verdade, esse aqui é o caminho. Mesmo que num primeiro momento você considere ser menos radical do que dona Marie propõe. 

Para finalizar, deixo aqui o link para esse texto ótimo da Martha Medeiros que ilustra bem o quanto é necessário SER, muito mais do que TER: "Vende-se tudo".



*Post originalmente produzido para o blog Elas Leram


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