Quando decidi que esse ano eu iria encarar o National Novel Writing Month, eu queria apenas uma coisa: lutar contra minha procrastinação crônica e perfeccionismo extremo. Imaginei que, num projeto como esse, onde tudo o que realmente conta (de verdade) são as palavras e não o resultado final, eu iria finalmente achar um exercício contra esses dois vícios terríveis que eu tenho. Ambos me impedem de terminar zilhões de coisas que eu começo.
Vivi uma situação horrorosa no trabalho durante o mês de outubro quando pensei em desistir de um projeto grande, realmente bonito e que envolvia várias outras pessoas simplesmente pelo medo de que ele não saísse PERFEITO. De que não saísse bom, de que não fosse aquilo que eu esperava que ele fosse.
Vejam bem: isso é horrível. E quando as pessoas aplaudiram e elogiaram o trabalho, que - com a ajuda eficaz da equipe que trabalha comigo e que não me deixou pular fora - saiu lindo na medida do possível e muito bom, sim senhor, eu me dei conta de quão grave esse meu defeito é.
Em fevereiro, quando me cadastrei no site, eu tinha como meta parar tudo em novembro e escrever. No momento, eu tenho aqui nos arquivos QUATRO projetos em andamento.
Amigos, nem o Stephen King tem tanto projeto em andamento quanto eu.
Mas vejam só: já são quatro porque eles começam, com fôlego, vida e muito carinho, e depois eles são deixados de lado, abandonados pela mãe, largados ao relento, porque a mãe é tão desnaturada e tão cruel que passa a editá-los sem parar, reformulá-los, achá-los feios e disformes. Até que por fim, abandona a cada um deles, no meio do caminho e parte para outro.
Sinto-me como Frollo olhando Quasímodo pela primeira vez e pensando: Ah, criatura horrenda... vou escondê-lo no campanário, não me faça passar vergonha. Não se atreva a aparecer em público.
E assim minhas ideias ficam incompletas simplesmente pelo fato de que não estão boas. Nunca estarão boas para mim. E mesmo os livros que já terminei, mesmo os que já cogitei publicar... até eles, pobrezinhos, já sofreram atrocidades sob meu olhar crítico e imperdoável.
Chegou então novembro e eu falei pra mim mesma: EU VOU ESCREVER. E não vou revisar. Não agora. Eu vou jogar a história inteira no papel, seu começo, seu meio e seu fim, num brainstorm despeserado em meio a esse deadline tão curto.
Recolhi tudo o que eu tinha pesquisado desde fevereiro (milhões de anotações e pesquisas) e "eremitei" com algumas canecas de chocolate quente e meu computador velho.
O resultado vou contando por aqui, semanalmente. Amanhã eu mostro o progresso da primeira semana.

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