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| Heliana e Sinésio |
Pense rápido:
Quantas Elianas você conhece?
Quantas Elianas foram citadas em poemas, em músicas e em livros?
Não, não vale aquela música que diz "Dooooona Eliana, tá na hora de a gente brincar".
Essa não vale.
E antes que você pergunte, "Eliane" também não vale.
Então nenhuma, certo?
E eu, que sempre fui muito ligada às musicas, aos poemas e aos livros, tive de me colocar no lugar das Marias Lúcias de Vinicius e de Renato Russo; que, além de meninas lindas, tinham um belo nome de amada. E de Ana, de Gessinger, cujos lábios eram labirintos avassaladores. E de Mariana, do Ira, que foi pro mar e se tornou uma mulher mais feliz.
E de Luísa, e de Jane, e de Lívia, e de Isabela, e de Rita, e de Marina, e de Emma, e de Antônia, e de Gabriela, e de Carolina, e de Helena, e de Alice.
E de tantas Marias.
E de todas as outras.
Homenageadas de formas tortas ou retas; mas descritas, eternas. Feitas para figurar para sempre entre as páginas, os olhos e os ouvidos dos outros, criadas para existirem mesmo entre quem não as conhece. Heroínas, vilãs, magas, mães, filhas, rainhas, meninas, donas de casa e prostitutas.
Mas não havia espaço para Elianas.
Para Eliana, nada?
- Nada!
Mas então.
Mas então houve Suassuna.
E houve A Pedra do Reino.
E houve Heliana.
Houve uma bela mulher, meu Deus, e houve um cavaleiro para ela. Capa, espada e cavalo.
Houve um H também, que eu ignorei, fonética e freneticamente, feliz demais para me importar com essa letra muda. Porque se escreve Heliana, mas se ouve Eliana. E houve Heliana, Eliana.
E, após conhecer Chicó e João Grilo, que eu amo e estimo de um jeito que vocês não imaginam, eu havia me deparado enfim com minha Heliana e seu Sinésio.
Sobre 2014, disse Fábio de Melo no Twitter: "ao morrer mais um dos grandes, cresce a nossa orfandade". E cada fã de literatura pelo mundo tem andado órfão ultimamente. Perdemos Márquez, perdemos Ribeiro, perdemos Alves, perdemos Gordimer, e agora perdemos Suassuna.
Estou triste.
Então peço licença para ser ligeiramente "egoísta" na minha orfandade e chorar pelo dramaturgo genial que tanto acrescentou ao país; mas antes de tudo, pelo gentil senhor que deu a uma de suas "filhas" mais bonitas o meu nome, o nome de Heliana.

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