Eu comecei a ouvir Keane lá em meados de 2003 quando "Somewhere only we know" estourou no mundo todo. Aquela música me falava ao coração de um jeito que eu não sabia explicar. Era tão boa, mas tão boa, que eu chegava a ficar emocionada só de ouvi-la. Comecei a curtir a banda.
Entretanto, confesso, fui uma fã meio desgarrada durante quase uma década. Apesar de gostar bastante, eu talvez não tenha dado a devida atenção que o trio - depois quarteto - merecia.
Comprei os CDs, decorei canções, cantei para meu filho ainda na barriga, usei de trilha sonora para escrever um bocado de coisa. Eles estavam em tudo o que eu fazia e eu não percebi isso. Não dava tanta bola.
Aí aconteceu um negócio curioso em outubro de 2012. A minha banda favorita de todos os tempos (também conhecida como Maroon 5) - cuja paixão eu nutro desde eras longínquas, em que ninguém precisava de Moves Like Jagger, os álbuns eram outro nível e a vida era melhor - veio fazer um show em SP.
Frise-se que não era a primeira vez do Maroon 5 no Brasil, mas eu infelizmente não pude ir em nenhuma outra apresentação deles por motivos de: show 1 - desemprego / show 2 - faculdade / show 3 - estava grávida e enjoando todo santo dia. Então, imaginem aí a minha ansiedade por aquele outubro de 2012.
Comprei camiseta, amarrei bandana na cabeça e fui me jogar no show de Adam Levine e Cia. para rebolar muito, gritar e ouvir o solo da batera do Matt. Entretanto, a banda que faria a abertura do show era justamente (e lindamente) o Keane.
Pensei: Pô, legal! "Gosto" deles também. Até canto algumas músicas da banda para meu filho dormir (olha eu de novo, sem entender o quanto eles já eram importantes).
Deu a hora do show do Keane e só meia dúzia de gatos pingados começou a gritar. O Keane não sacode multidões, então, dos 30 mil que estavam lá pelo Maroon 5, uns três mil chutando muito alto tinha ido só pra ver o Keane.
Eu fiquei só observado. Aquela coisa meio descrente.
Mas quando Tom Chaplin começou os primeiros versos de "You are young" minha pele se arrepiou inteira.
O estômago libertou todas as borboletas para voarem.
As pupilas dilataram.
Até o coração sentiu um troço estranho.
A voz dele foi lá conversar com a minha alma. Os teclados de Tim me levaram pra outra dimensão. Eu sabia cantar quase todas as canções e as letras de repente pareciam falar comigo como nunca antes.
Ver o Keane ao vivo pela primeira vez foi sensacional. Quando o show acabou, fiquei com aquela sensação de que precisava urgente ouvir todos os meus álbuns de novo. E ouvir com carinho, com vontade, com amor à música.
Foi uma semana em que eu não soube fazer outra coisa. Só '(re)ouvir' Keane.
Seis meses depois, em abril de 2013, eu fui a um show exclusivo da banda e dessa vez era eu quem estava entre os gatos pingados encostada no palco, segurando plaquinha, deixando lágrima correr, sendo brega como todo fã exagerado é. Eu, no meio do grupo seleto de Keaners do Brasil.
Sim, ainda tenho meus faniquitos eternos pelo Maroon 5 (conto para vocês em outro post), que embala a minha vida de um jeito que vocês não fazem ideia. Mas é pelo Keane que meu coração bate forte desde então e são eles que têm me encantado de verdade por todos estes anos, quando o assunto é música. Estranhamente, eu demorei para perceber isso com clareza.
E se em 2003 eu me apaixonei pelo Keane, em 2012 eu me perdi de amor, e para sempre.
Playlist
É difícil para mim definir uma lista de preferidas. Eu simplesmente gosto de todas. O último álbum, Strangeland, é bom do início do ao fim. Separei aqui algumas que marcaram momentos importantes nessa última década. A banda está em hiato atualmente, para desespero e tristeza dos gatos pingados. Entretanto, no fim do ano passado eles lançaram um album com as melhores de todos os tempos. Se você quiser conhecer a banda, esse é o álbum ideal para começar. Por hora, vale a pena espiar:
Somewhere only we know
The Last Time
Spiralling
Sovereign Light Café
Strangeland

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